Oco
… Isso se perdeu em meio à poeira que vela os móveis, e o silêncio que vela a casa. Em gavetas ou estantes.  Dividido. Em pedaços. E sentiu sua garganta se fechar num soluço. Como um gargalo que achara a rolha e de repente lhe faltara o ar. Seus olhos desbotados transbordavam uma aquarela sem cores, que pigmentava sua pele num rubro forte, misturado as negras marcas de insônia e pesadelos. Num súbito, ela deixou a janela que lhe revelava um pouco dos segredos da noite e deslizou sobre o triste chão até a cozinha. Bebeu. Tragou. Quebrou. Chorou… Calou. E em meio aos cacos e lágrimas, seu coração desesperado trincou na longitude. E novamente bebeu. Novamente tragou. Dessa vez conteve o choro e foi ao quarto. Deitou-se na cama coberta de agonias e deu início a uma luta desesperada, contra uma coisa que não podia ver apenas sentir. Seus pés e mãos pareciam possuídos por uma força além de suas vontades, moviam-se desvairados, buscando um toque, um alívio. Uma ruína de sentimentos que fosse. E todo aquele furacão foi acalmando até perder as forças e tornar-se uma leve brisa. A tormenta continuava latente em seu peito, tragando a dor de uma saudade. Ainda buscando as lembranças perdidas entre a poeira e os entulhos… 

Oco

… Isso se perdeu em meio à poeira que vela os móveis, e o silêncio que vela a casa. Em gavetas ou estantes.  Dividido. Em pedaços. E sentiu sua garganta se fechar num soluço. Como um gargalo que achara a rolha e de repente lhe faltara o ar. Seus olhos desbotados transbordavam uma aquarela sem cores, que pigmentava sua pele num rubro forte, misturado as negras marcas de insônia e pesadelos. Num súbito, ela deixou a janela que lhe revelava um pouco dos segredos da noite e deslizou sobre o triste chão até a cozinha. Bebeu. Tragou. Quebrou. Chorou… Calou. E em meio aos cacos e lágrimas, seu coração desesperado trincou na longitude. E novamente bebeu. Novamente tragou. Dessa vez conteve o choro e foi ao quarto. Deitou-se na cama coberta de agonias e deu início a uma luta desesperada, contra uma coisa que não podia ver apenas sentir. Seus pés e mãos pareciam possuídos por uma força além de suas vontades, moviam-se desvairados, buscando um toque, um alívio. Uma ruína de sentimentos que fosse. E todo aquele furacão foi acalmando até perder as forças e tornar-se uma leve brisa. A tormenta continuava latente em seu peito, tragando a dor de uma saudade. Ainda buscando as lembranças perdidas entre a poeira e os entulhos… 

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